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Guia completo

O que é a Ficha de Acompanhamento EEE e como preenchê-la

A Ficha de Acompanhamento de Equipamento Elétrico e Eletrónico (EEE) é um documento obrigatório para qualquer beneficiário de financiamento público que tenha adquirido equipamentos elétricos ou eletrónicos. Sem ela, o pagamento de saldo final não avança.

Este guia explica tudo — o que é, porque existe, o que contém, como preencher cada secção e os erros mais comuns. Se preferir não o fazer manualmente, pode falar com a equipa.

Definição

O que é a Ficha EEE

A Ficha de Acompanhamento de Equipamento Elétrico e Eletrónico (EEE) é um documento que regista e acompanha os equipamentos elétricos e eletrónicos adquiridos no âmbito de investimentos com financiamento público — como o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência).

Reúne informação técnica (categoria, classe energética, consumos), documental (fatura, ficha técnica, números de série) e operacional (gestão de resíduos, substituição de equipamentos antigos) necessária para organizar o processo e apoiar o pedido de saldo final.

O documento existe para garantir que o investimento cumpre o princípio DNSH — que os equipamentos foram escolhidos, utilizados e descartados de forma ambientalmente responsável.

Quando é exigida?No pedido de saldo final
Quem tem de preencher?O beneficiário final do apoio público
O que bloqueia se falhar?O pagamento de saldo final
Quantos sistemas diferentes estão envolvidos?Até 4, consoante a natureza do beneficiário (SIGA-BF, SILiamb, BASE.gov, AT)
Quantas fontes de documentação são necessárias?Fabricantes, fornecedores, entidades gestoras REEE, organismos intermediários
Qual o prazo de conservação dos documentos?Mínimo 5 anos após o último pagamento

Enquadramento regulatório extenso

A Ficha EEE cruza várias peças legislativas: Diretiva WEEE, RoHS, Regulamento de Rotulagem Energética, normas EN 50419 e EN 62309, orientação DNSH e códigos LER. Compreender o quadro regulatório continua a ser responsabilidade do beneficiário.

Enquadramento

Porque é que este documento é exigido

Os programas de financiamento público europeu estão subordinados ao princípio DNSH (Do No Significant Harm) — nenhum investimento financiado pode prejudicar significativamente os seis objetivos ambientais da UE, definidos no artigo 9.º do Regulamento (UE) 2020/852. O artigo 17.º do mesmo regulamento define o que constitui prejuízo significativo a cada um destes objetivos.

A Ficha EEE é o mecanismo que prova, equipamento a equipamento, que este princípio foi respeitado: que os equipamentos têm classe energética adequada, que cumprem restrições de substâncias perigosas (RoHS), e que os equipamentos substituídos foram encaminhados para reciclagem.

Os 6 objetivos ambientais DNSH

  1. 1Mitigação das alterações climáticas
  2. 2Adaptação às alterações climáticas
  3. 3Utilização sustentável e proteção dos recursos hídricos e marinhos
  4. 4Transição para uma economia circular
  5. 5Prevenção e controlo da poluição
  6. 6Proteção e restauro da biodiversidade e dos ecossistemas

Os objetivos 1 e 4 (a negrito) são os mais diretamente relevantes para a Ficha EEE.

Prazo

Quando é exigida

A Ficha EEE é exigida no momento do pedido de saldo final — não na candidatura, nem nos pedidos de pagamento intermédios.

No entanto, a preparação deve começar cedo. Obter fichas técnicas junto dos fabricantes pode demorar semanas, e coordenar com entidades gestoras de resíduos exige tempo. Deixar tudo para o fim é o erro mais comum.

Prazo de resposta a esclarecimentos: curto e definido em cada aviso.

Se o organismo intermediário devolver o processo com dúvidas, tem tipicamente 5 a 10 dias úteis para responder (varia por aviso). Se a documentação não estiver organizada, pode não conseguir cumprir.

Antes de começar

Documentos que precisa de reunir

Para cada equipamento individual, tem de recolher e verificar fisicamente estes documentos antes de começar a preencher.

Fatura comercial

Legível, não protegida por password, com número de série se possível

Ficha técnica

O modelo exato — não uma página genérica de catálogo ou site

Números de série

Um por unidade física. Se a fatura não os lista, vai ter de emailar o fornecedor

Declaração de entrega

Só para substituição de equipamentos antigos — exige coordenação com a entidade gestora

Fotografias

Alternativa quando a ficha técnica está em falta ou ilegível

Reunir estes documentos é o seu trabalho — e pode demorar.

Obter fichas técnicas junto de fornecedores, coordenar com entidades gestoras de resíduos e perseguir declarações assinadas são tarefas que a plataforma não substitui. O que a plataforma resolve é o que vem a seguir: extrair, classificar, validar, formatar e gerar o PDF.

Ferramentas que o preenchimento manual exige

Word / LibreOfficeExcelAdobe Acrobat / OCRNavegador (8–10 separadores)

Preenchimento

As 8 secções da ficha, campo a campo

Cada secção tem campos específicos, e cada campo tem armadilhas próprias. O tempo indicado é para preenchimento manual, assumindo que já tem os documentos reunidos.

01

Identificação do investimento e entidade executora

2 campos2 min

Código do aviso do programa e nome da entidade executora do investimento.

Dica: Use exatamente o código do aviso que consta na notificação de aprovação. Não confunda o código do aviso com o n.º do projeto.

02

Identificação do estabelecimento

11 campos10–15 min

Nome, NIF (9 dígitos), CAE (5 dígitos), atividade desenvolvida, morada completa, código postal (XXXX-XXX), ilha (se Açores/Madeira), telefone, email e responsável.

Dica: O NIF tem de corresponder exatamente à entidade beneficiária. O CAE deve refletir a atividade real do estabelecimento — consulte a CAE-Rev.3 (classificação em vigor) no site do INE.

03

Identificação do equipamento

10+ campos15–25 min

Categoria WEEE (1–6), nome, marca, modelo, número de equipamentos, número de série de cada unidade, classe energética (A–G), consumo de energia, consumo de água (se aplicável), materiais, substâncias perigosas (declaração RoHS) e descrição de funções.

Dica: A classe energética deve vir da ficha técnica oficial, não do site do fabricante. O consumo de energia segue uma ordem de prioridade: watts → kWh/ano → por ciclo → potência do carregador → capacidade da bateria.

04

Fase preparatória

11 decisões Sim/Não/NA + justificações15–30 min

Certificação ISO 14001/EMAS do fornecedor, marcação CE, conformidade com diretivas ambientais, documentação técnica completa, avaliação de ciclo de vida, reparabilidade e reciclabilidade, peças de reposição (7 anos), rotulagem energética, declaração de substâncias perigosas, garantia mínima de 2 anos, formação em uso eficiente.

Dica: Cada 'Sim' precisa de evidência documental. Se não tem o documento, marque 'NA' e justifique — é melhor do que inventar.

05

Fase de utilização

5 decisões Sim/Não/NA10–15 min

Manutenção preventiva, registo de consumos energéticos, uso de energia renovável, formação de utilizadores e monitorização de desempenho ambiental.

Dica: Se ainda não implementou estes procedimentos, indique 'NA' com justificação. Não declare procedimentos que não existem.

06

Substituição de equipamentos

6+ campos (condicional)30–60 min

Só se aplicável — estado dos equipamentos antigos, entidade gestora de resíduos (nome + NIF), data de comunicação, entidade de recolha, consulta para doação, data de entrega da declaração.

Dica: Se não substituiu equipamentos antigos, deve incluir uma declaração expressa justificando a ausência de REEE gerados. A omissão causa devolução.

07

Gestão de resíduos

6 campos × n.º de fluxos30–60 min

Para cada fluxo de resíduos: nome comum, código LER (Catálogo Europeu de Resíduos), entidade de recolha/transporte, operador de destino final, NIF do operador, classificação R (valorização) ou D (eliminação).

Dica: Os códigos LER para equipamentos informáticos são tipicamente 16 02 14 (equipamentos não perigosos) ou 16 02 13 (com substâncias perigosas). Confirme com a entidade gestora antes de preencher.

08

Data de elaboração e assinatura

2 campos5 min

Data de elaboração da ficha e assinatura do responsável.

Dica: A assinatura pode ser digital (certificado qualificado) ou manuscrita com digitalização posterior.

Preenchimento manual — com documentos na mão

50+

Campos

2–4h

Transcrever, classificar e formatar

10–15 min

Com a plataforma

E depois repete-se. Para cada ficha.

Os dados da empresa (NIF, CAE, morada, responsável) são idênticos em todas as fichas — mas reescreve os mesmos 12 campos de cada vez. Para 10 fichas: 20–40 horas a transcrever, classificar e formatar.

Classificação

As 6 categorias WEEE

Cada equipamento tem de ser classificado numa das 6 categorias da Diretiva 2012/19/UE. A categoria errada é um dos motivos mais frequentes de devolução.

1

Equipamentos de regulação da temperatura

Frigoríficos, arcas congeladoras, aparelhos de ar condicionado

2

Ecrãs e monitores

Televisões, monitores, portáteis, tablets

3

Lâmpadas

Lâmpadas fluorescentes, LED, de descarga de alta intensidade

4

Equipamentos de grandes dimensões (> 50 cm)

Máquinas de lavar, secadores, painéis fotovoltaicos, impressoras de grande formato

5

Equipamentos de pequenas dimensões (≤ 50 cm)

Aspiradores, torradeiras, câmaras, microfones, colunas de som

6

Equipamentos informáticos e de telecomunicações de pequenas dimensões (≤ 50 cm)

PCs, teclados, ratos, routers, switches, telefones, impressoras de secretária

Tabela de equipamentos e códigos LER

Referência rápida para os equipamentos mais comuns em investimentos financiados, com a categoria WEEE e o código LER correspondente.

EquipamentoCat. WEEELER
Access point616 02 14
Auricular516 02 14
Computador (desktop)616 02 14
Computador portátil216 02 14
Disco rígido (hard drive)616 02 14
Impressora4/616 02 14
Monitor216 02 14
Teclado616 02 14
Rato616 02 14
Telefone616 02 14
Switch616 02 14
Router616 02 14
Firewall616 02 14
Televisão216 02 14
Câmara web516 02 14
Tablet216 02 14
Impressora 3D4/616 02 14
Microfone516 02 14
Coluna de som516 02 14

O código LER depende dos componentes do equipamento. Equipamentos com CRT, mercúrio, chumbo ou PCBs são classificados como perigosos (16 02 13*). Confirme sempre com a entidade gestora de resíduos antes de preencher.

Atenção

Erros comuns e como evitá-los

!

Usar o modelo errado

Consequência: Devolução imediata do processo

O formulário varia entre avisos. Use apenas o modelo disponibilizado pelo seu organismo intermediário.

!

NIF ou CAE com dígitos errados

Consequência: Rejeição na auditoria do organismo intermediário

NIF: 9 dígitos, verificável em vies.ec.europa.eu. CAE: 5 dígitos, tabela oficial do INE.

!

Categoria WEEE incorreta

Consequência: Devolução para correção com prazo curto

Consulte a tabela de categorias abaixo. Na dúvida, verifique o Anexo III da Diretiva 2012/19/UE.

!

Classe energética do site em vez da ficha técnica

Consequência: Inconsistência documental

Use sempre o valor da ficha técnica oficial do fabricante. Guarde o PDF como comprovativo.

!

Números de série não coincidem com quantidade

Consequência: Inconsistência que bloqueia validação

Verifique que o n.º de séries listados = n.º de equipamentos declarados na fatura.

Sem rede de segurança

Não existe validação automática. NIF com 9 dígitos, CAE com 5, código postal XXXX-XXX, contagem de séries — tudo verificado manualmente, campo a campo. Um erro no NIF ou na categoria e a ficha é rejeitada.

Conformidade

Riscos de uma ficha mal preenchida

Bloqueio do pedido de saldo final

A Ficha EEE incompleta ou incorreta resulta no bloqueio imediato do pedido. O organismo intermediário devolve o processo para correção, com prazo limitado de resposta.

Devolução de fundos já recebidos

O incumprimento das obrigações DNSH pode gerar recuperação total ou parcial dos apoios já pagos, nos termos da Orientação Técnica n.º 13/2023 da EMRP.

Auditoria e verificação no local

Os beneficiários estão sujeitos a verificações da IGF, do Tribunal de Contas Europeu e investigações do OLAF. A documentação tem de resistir a auditoria.

Conservação obrigatória de 5 anos

Toda a documentação deve ser conservada em suporte digital por um mínimo de 5 anos após o último pagamento.

Prestação de falsas declarações

Declarações DNSH falsas ou documentação forjada constituem irregularidade grave, com obrigação de comunicação à Comissão Europeia e eventual participação ao Ministério Público.

Referências

Legislação e referências normativas

Regulamento (UE) 2021/241, de 12/02/2021

Mecanismo de Recuperação e Resiliência — base legal do PRR

Regulamento (UE) 2020/852, de 18/06/2020

Regulamento da Taxonomia — define o princípio DNSH

Decreto-Lei n.º 152-D/2017, de 11/12 (republicado pelo DL 102-D/2020)

Gestão de REEE — transpõe Diretiva 2012/19/UE

Decreto-Lei n.º 79/2013, de 11/06 (e alterações)

Restrição de substâncias perigosas em EEE (RoHS) — transpõe Diretiva 2011/65/UE

Regulamento (UE) 2023/826, de 17/04/2023

Requisitos de conceção ecológica para EEE domésticos e de escritório

Orientação Técnica n.º 9/2023 da EMRP

Metodologia para cumprimento dos requisitos DNSH e contributo para a Transição Ecológica

Orientação Técnica n.º 13/2023 da EMRP

Irregularidades e recuperações financeiras no âmbito do PRR

Orientação Técnica n.º 3/2021 da EMRP

Regras gerais de aplicação dos fundos PRR

Manual de Procedimentos PRR (6.ª edição, v6.2, setembro 2025)

Manual geral de gestão e controlo do PRR

Transparência

O que está fora do âmbito da plataforma

Não contactamos fornecedores por si

Não coordenamos com entidades gestoras de resíduos

Não interpretamos legislação nem damos parecer jurídico

Não submetemos a ficha ao organismo intermediário

Focamo-nos numa coisa: transformar os documentos que já tem em fichas válidas, rápido. Extrair dados, classificar equipamentos, validar campos, formatar e gerar o PDF — é isto que automatizamos.

Com documentos na mão

Quer poupar tempo? De 2 horas para 10 minutos.

Carrega os PDFs. A plataforma extrai, classifica, valida e formata. Revê a minuta, assina, entrega.

Extração automática de faturas e fichas técnicasClassificação WEEE automáticaValidação em tempo real

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